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04/03/17:  Palestra "Outros olhares sobre a Pixação"

 

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quem somos: 

 

O ArdePixo é um coletivo formado por pessoas interessadas na produção de conteúdo, promoção de ações educacionais e de conscientização, produção artística e ativismo sobre a pixação de São Paulo e sobre como a cidade é vivenciada pelo esse grupo de pessoas, que escolheu esse modo de expressão para se manifestar no espaço público.

 

Além de um canal de visibilidade da estética e contextos da expressão na cidade, o ArdePixo é também um canal de debate, que traz à tona diversos olhares como de pixadores, acadêmicos, jornalistas, críticos ou qualquer cidadão que tenha interesse em discutir a questão de forma tolerante e democrática, pessoas que atuam na rua ou não, e que nem sempre contam com espaços de voz (não editada) nas grades mídias.

 

O ArdePixo é também um canal de produção de conteúdo de arte, política e ativismo – pois tudo isso é o universo do pixo. Não acreditamos em visões neutras sobre os fatos e não temos a pretensão de ser neutros em nosso conteúdo, mas de produzir, coletar e reunir materiais que possam fazer emergir perspectivas que até então não foram exploradas ou não foram mostradas.

 

Aqui você verá outros olhares e outras vozes sobre a pixação de São Paulo. 

 POSTS recentes: 

31.08.2017

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Não pixaram o Pátio do Colégio

Assim como não pixaram o Monumento às Bandeiras e nem o Borba Gato durante a campanha eleitoral de 2016.

 

Mais de 30 anos se passaram desde o surgimento do movimento da pixação em São Paulo. Para quem faz parte do movimento está muito claro o que é pixação (com “x”) e o que é pichação (com “ch”), mas para o público em geral ainda existe uma grande (enorme!) confusão entre os dois conceitos. Muitos se aproveitam dessa confusão para condenar pixadores e pixadoras por atos não ligados ao movimento e outros se aproveitam para ganhar visibilidade para sua pichação (com “ch”) ou outra intervenção qualquer, usando da fama do movimento.

 

No início da década de 1980, quando começaram a aparecer repetidamente alguns nomes nos muros da cidade, não existia ainda pixação (com “x”), pois as ações estavam ligadas somente à algumas pessoas e não a um movimento. Sendo assim, os primeiros nomes como Juneca e Pessoinha não adotavam uma caligrafia específica, apenas “pichavam” seus nomes no máximo de lugares possível na cidade. Já no final da década de 1980, essa manifestação passou a constituir um movimento, em que para fazer parte a pessoa deve criar sua própria caligrafia (no estilo “tag reto”, que são as letras geométricas e alongadas que vemos nas ruas) e adotar um modo de conduta, com o objetivo de ocupar o máximo de superfícies na cidade. Aos poucos a prática foi se tornando mais ousada e os/as pixadores/pixadoras começaram a arriscar cada vez mais sua liberdade, integridade e também a própria vida para ocupar topos de prédios, fachadas, pontes, monumentos, etc., enfim, lugares de maior visibilidade e maior risco.

 

A intenção da pixação sempre foi ocupar a cidade e chamar a atenção para a existência de um movimento que une um coletivo de pessoas que querem fazer parte de sua construção simbólica, deixando suas marcas no espaço público. A pixação (com “x”) exibe uma identidade, ela tem uma “cara” específica. É observando o formato das letras e a forma como as palavras (ou marcas) são organizadas nas superfícies que fica clara qual é essa identidade. E para bom observador, é simples entender que não é qualquer palavra, nome ou tag na parede que pode ser chamado de pixação.

 

Existe protesto na pixação? Sim. Mas qualquer palavra de protesto no pixo está acompanhada de uma marca/assinatura/pixo que segue o mesmo estilo de letra e o mesmo padrão, deixando clara a ligação com o movimento. Além disso, a marca/assinatura/pixo identifica a autoria da ação, que pode ser de um grupo ou de um indivíduo, evitando assim que se diga que uma frase foi feita “pelos pixadores” (como se representasse o movimento como um todo) mas sim por determinadas pessoas de dentro do movimento da pixação. Qualquer escrita no espaço público que não siga essa organização não é pixação e sim pichação! Ou pode ser uma intervenção artística feita por qualquer pessoa -  você, seu vizinho, um artista, qualquer outro cidadão comum.

 

Por que é importante deixar clara essa diferença?
Qualquer julgamento feito sobre a pixação impacta diretamente na atuação e na vida de quem faz parte deste movimento. Não temos nada contra e achamos válida toda e qualquer manifestação artística ou de protesto fora da pixação! Mas a palavra pixação (com “x”) tem uma história e uma cena, é um potente movimento, e isso deve ser considerado antes de chamar todo rabisco na parede de pixação. Pixação é modo de vida traduzido na estética da cidade. 

 

E quanto à comercialização da pixação ou pichação?

Se um/uma pixador/pixadora (ou pichador/pichadora) decidir comercializar uma obra de arte que usa sua intervenção na rua, é uma decisão pessoal, que envolve unicamente sua marca individual e sua autoria. Sendo assim, comercializar uma obra que foi feita ilegalmente é dar a “cara à tapa”, ou seja, mostrar quem é o autor ou autora daquela intervenção ilegal. Não se pode dizer que esse autor representa o “os pixadores” como um todo e nem que a escolha de alguns representa as escolhas do movimento. Assim como nenhum/a grafiteiro/a vende “graffiti”, mas sim sua própria criação assinada, nenhum/a pixador vende “pixação”. A legitimidade vem a partir da trajetória na rua e assinar a obra com sua marca é assumir sua escolha perante o coletivo e perante o público, sem falar em nome de mais ninguém que não você mesmo e quem fechar com você.

 

 

Para saber mais:

Isso é piXação!

Isso é piXação!

Isso é piXação!

 

 

Trabalhos de pesquisa que explicam as diferenças:

- “De rolê pela cidade: os pixadores de São Paulo”, de Alexandre Barbosa Pereira, 2005

- “Iconografias da metrópoles: grafiteiros e pixadores representando o contemporâneo”, de Sérgio Miguel Franco, 2009

- “Pichação não é pixação”, de Gustavo Lassala, 2010

 

Estuda aê!

 

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